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Quarta-feira

Educação para Surdos é contemplada no PNE

Postado por Paulo Henrique Soares Na Quarta-feira, Maio 30, 2012

Ouça:


A inclusão da escola especial e da escola bilíngue para surdos no novo Plano Nacional de Educação (PNE) - PL 8035/10 - foi comemorado pelos representantes do setor que lotaram nesta terça-feira o plenário onde o texto final do relator, deputado Angelo Vanhoni (PT-PR), estava sendo discutido [sonora].
O texto do PNE enviado pelo governo contemplava apenas a inclusão de pessoas com deficiência nas escolas, e não citava as duas formas específicas de educação. De um lado, surdos reivindicavam escolas em que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) seja a língua principal, e, por outro lado, associações que lidam com educação especial, como as Apaes, defendem uma educação para quem precisa de currículo específico.
Para o deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), ligado ao movimento de Apaes (que organiza escolas para alunos com deficiência), o texto apresentado contempla as reivindicações, e garante a continuidade da educação especial [sonora].
O relator apresentou novas alterações, mas a meta de gastos com educação não foi alterada. No texto, o relator propõe 7,5% do PIB em investimento direto do setor público em educação nos próximos dez anos, Alguns deputados, principalmente da oposição, querem que o investimento seja de 10% do PIB.

Fonte: CÂMARA DOS DEPUTADOS

Quinta-feira

Obama supreende aluno surdo sinalizando

Postado por Paulo Henrique Soares Na Quinta-feira, Maio 24, 2012

O presidente Obama tomou um aluno surdo de surpresa na semana passada, falando-lhe em linguagem gestual.
Sinais do presidente Obama "Obrigado." (YouTube)Stephon Williams, um estudante de 26 anos da Faculdade de Prince George Comunidade, estava na fila depois de um evento sobre a política energética, em Maryland, quando ele conseguiu chamar a atenção do presidente Obama, que havia sido ocupado apertando as mãos, olhou diretamente para o aluno.

"Estou orgulhoso de você", Williams assinado.
Obama, sem perder o ritmo, assinada de volta: "Obrigado."

assista o vídeo:


Fonte: WashingtonPost

Quarta-feira

A Serviço da Inclusão - Modelo Surda de SC

Postado por Paulo Henrique Soares Na Quarta-feira, Maio 23, 2012

Modelo organiza curso e concurso de beleza para surdos
Primeira Miss Surda Santa Catarina tem 21 anos e trabalha em São José, na Grande Florianópolis

Na Língua Brasileira de Sinais (Libras), levar dois dedos para imitar uma caminhada sobre o dorso do braço significa desfilar. Mas, para Rui Alessandro Zuzza, também significa esperança. Modelo profissional, que é surdo desde que nasceu, ele sempre acreditou que esse movimento pudesse ser a solução para um dos principais anseios da comunidade surda: a inclusão.

Modelo desde a adolescência, Rui jamais ouviu os aplausos que recebeu nas vezes que subiu na passarela. Mesmo assim, faz tempo que ele percebeu que os concursos de beleza também podem ser úteis na busca por igualdade. E Rui está por trás do primeiro curso de modelos surdos de SC, que tem início em junho, em Florianópolis, e que está com inscrições abertas.

— São diversas disciplinas que darão base para começar na profissão — explica Rui, que será o professor.

O que ele vai ensinar é praticamente o mesmo que usou na preparação das 14 candidatas do 1º Miss Brasil Surda, em março deste ano, em Fortaleza, no Ceará: lições de comportamento, postura e desenvoltura. Rui também ajudou na organização do concurso, inédito no país.

— Concursos de beleza dão visibilidade. Somos surdos, mas também podemos trabalhar, viajar e namorar — diz Rui, paulista que vive em Florianópolis há três anos.

Fonte: Entrevista traduzida por Wharlley Martins dos Santos.

Miss Surda SC e trabalhadora

A primeira Miss Surda Santa Catarina tem 21 anos e trabalha em uma farmácia de preço popular, em São José. Emanuelle Schmitt representou os catarinenses no 1º Miss Brasil Surda, em março, no lugar de outra modelo, que não participou do concurso por problemas pessoais.

Emanuelle sempre sonhou em ser modelo profissional e participa de pequenos desfiles desde os 10 anos. Mas foi somente no Miss Brasil que conseguiu entender a dimensão de sua paixão: pela primeira vez, ela conseguiu entender tudo o que foi dito pela organização e, então, pode sentir de verdade a vibração dos aplausos que recebeu.

Emoções também novas

Tudo inédito, para alguém como ela:

— Eles nos mostraram que podemos fazer as coisas tão bem quanto uma modelo que é ouvinte. Foi uma experiência importante. Pude conhecer outras garotas surdas que têm o mesmo sonho que eu, conhecer outras culturas.

Amiga é conhecida do público

Mas o jovem que fala e ouve com as mãos não sonha sozinho. Junto com ele, a também modelo Vanessa Vidal — que entrou para a história dos 54 anos do Miss Brasil como a primeira surda a disputar o concurso, em 2008 — dividem forças nesta luta. Vanessa é quem esteve à frente do 1º Miss Brasil Surda, e já trabalha para promover o segundo, em 2013, também em Fortaleza (CE).

Rui continua sonhando alto. Ainda este ano, quer realizar concursos de Miss em 12 regiões-polo de SC, para que, no fim do ano, todas participem do 1º Miss SC Surda — iniciativa que, aos poucos, deve ser criada também em outros Estados.

— É importante criar esse tipo de concurso local. É daí que sairão candidatas mais preparadas para o Miss Brasil e, então, poderemos ter um concurso democrático — afirma Vanessa.

A equipe tinha algo em comum

O 1º Miss Brasil Surda virou realidade em março deste ano. Recebeu um empurrãozinho do organizador do Miss Deaf Internacional, concurso mundial só com misses surdas. O Brasil participou do evento pela primeira vez no ano passado, com Vanessa, que voltou para casa trazendo experiência e força de vontade:

— Tive que lutar muito para buscar patrocínio. Consegui hospedagem, restaurantes, apoio com lojistas, mas sofri com o preconceito.

Quase toda a equipe que coordenou o concurso era surda: a estilista, o coreógrafo, o chef de cozinha. A apresentação do desfile — feita por Rui e Vanessa — foi em Libras, mas traduzida por um intérprete aos ouvintes.


Curiosidades

::: O último censo demográfico, realizado em 2010, apontou que 5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência auditiva.

::: Isso representa cerca de 9,7 milhões de pessoas.

::: Quase 1,5 milhão delas estão em Santa Catarina.

::: A Língua Brasileira dos Sinais (Libras) foi reconhecida como meio legal de comunicação e expressão em 2002.

Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

O curso

::: O que: curso de modelagem para surdos.

::: Onde: Na Associação de Surdos da Grande Florianópolis, na Rua Trajano, 168, 6º andar, Centro, Capital.

::: Quando: início em 2 de junho, sempre aos sábados das 14h às 18h.

::: Duração: 6 meses.

::: Inscrições: até o dia 31 de maio.

::: Requisitos: ter idade entre 16 até 35 e altura de 1,60m até 1,80m.

::: Quanto: R$ 15 a inscrição e R$ 80 a mensalidade.

::: Mais informações: modelossurdos.asgf@gmail.com.

Fonte: Diário Catarinense

Domingo

Chile - Luta pelo reconhecimento da língua de sinais

Postado por Paulo Henrique Soares Na Domingo, Maio 20, 2012

É APROVADO NA CÂMARA DOS DEPUTADOS RECONHECENDO A LÍNGUA DE SINAIS DO CHILE, FALTANDO APENAS O ÚLTIMO PROCESSADO NO SENADO

No dia 17 maio de 2012 na Câmara dos Deputados aprova o reconhecimento da língua gestual chilenos sem restrições todos os votos dos deputados a favor, agora só precisa do último processo no Senado, é esperado para estar pronto para Junho e, finalmente, reconhecer a língua de sinais chileno.
Anos de luta que estão dando bons resultados e, graças aos esforços do deputado incondicional Andrea Molina e equipe ACHIELS que desistiu de realizar esta tarefa em nome de pessoas surdas no Chile.
Viva a Língua Gestual chileno.

Sábado

Os surdos e os sultões otomanos

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sábado, Maio 19, 2012

Os surdos e os sultões otomanos 
Alexander Oviedo
Tradução de Elisabete de Camargo Magalhães Castro

Sabes quem eram os Sultões Otomanos? Sultões eram os reis do império do Otomano, muito grande e poderoso. Os Sultões tiveram um problema. Não podiam falar diretamente com o povo, porque era tabu (proibido) ouvir a voz do sultão. Por essa razão havia um assistente em que o Sultão sussurrava e este, repetia alto. Era muito complicado. O Sultão Suleiman teve dois jardineiros. Eram dois irmãos surdos. Com unicavam-se em sinais. O Sultão ficou observando e pensava que os sinais eram bons e a voz não fazia falta, assim acabariam os problemas se ele aprendesse a língua de sinais. 
O Sultão chamou a ambos e disse que queria aprender os sinais, os irmãos surdos ensinaram-lhe tudo o que sabiam. Mais tarde, Sultão chamou os que trabalhavam no palácio e ordenou que todos aprendessem a língua de sinais. Todos os ouvintes aprender am. Como eram muitos pessoas, os irmãos não estavam conseguindo ensinar a todos. O Sultão ordenou que procurassem o povo Surdo. E assim, muitos surdos vieram ao palácio e ensinaram . Muitos surdos foram viver no palácio. O Sultão começou a usar a língua de sinais.

A língua dos sinais do sultão foi chamada “ixarette” (na língua Turca ). No palácio, o ixarette era elegante.
Os embaixadores vinham sempre ao e perceberam que ninguém falou. Todos fizeram sinais. Os embaixadores ficar am surpreendidos e pediram intérpretes. Mais tarde, os embaixadores retornaram a seus países e escreveram sobre os sinais do palácio de Suleim an. Suleiman teve muitos palácios, e em todos os palácios viviam muitos surdos, e tinham trabalhos diferentes. Alguns eram os instrutores, outros eram cozinheiros e jardineiros. Os Guarda-Costas do Sultão eram todos surdos. Assim foram abertas muitas
escolas de língua dos sinais nos palácios. E os povos surdos e ouvintes inventaram muitos sinais novos, e conversavam sobre todos os assuntos. Ao morrer em 1566, seu filho de Selim era Otomano e o novo do sultão, continuou usando os sinais, todos os sultões seguiram o exemplo. Esse costume durou diversos séculos. No ano de 1923, o império do Otomano terminou, o povo surdo abandonou os palácios.




Sexta-feira

Depois anos após lei, a escola bilíngue é aceita

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sexta-feira, Abril 27, 2012

Em uma sala com alunos surdos do 5º ano do ensino fundamental na Escola Bilíngue Salomão Watninck, em Porto Alegre (RS), a professora Cássia da Silva comemorava na manhã desta terça-feira o dia que marca a luta pela inclusão dos surdos na sociedade. Há exatos dez anos, o então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, sancionou a lei que tornou oficial a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Embora o Ministério da Educação (MEC) recomende que todos os alunos sejam incluídos nas escolas regulares, especialistas concordam que o modelo adotado pelo colégio gaúcho, com foco no ensino bilíngue da língua de sinais e do português, tem se mostrado o mais eficaz para garantir o aprendizado dos surdos.
O diferencial da escola bilíngue é o compromisso com o ensino de Libras como língua principal, seguido pela compreensão da língua portuguesa escrita. A professora, que também é surda, diz que a lei trouxe importantes avanços no reconhecimento da língua de sinais pela sociedade. "Eu estudei em uma escola de ouvintes, que tinha foco na oralização, no ensino do português. Era muito difícil, tinha dificuldade para aprender. Só fui me comunicar com a língua de sinais após os meus 15 anos. Hoje, os alunos são estimulados a se expressar com os sinais e eles têm o mesmo nível de aprendizado de uma pessoa que não é surda", afirma a educadora. Criada em 2008, a escola onde que Cássia dá aulas atende alunos até o 6º ano do ensino fundamental.
De acordo com a professora do Departamento de Estudos Especializados da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Adriana Thoma, a comunidade de surdos no Brasil e diversos especialistas concordam que a inclusão desses alunos em escolas regulares deve acontecer mais tarde, após as séries iniciais. "Pesquisas já comprovaram que alfabetizar um estudante surdo em uma escola regular não funciona. Nosso ensino não está preparado para isso", afirma. Segundo ela, esses estudantes não conseguem acompanhar o restante da turma porque o foco do ensino se dá pelo português oral. "A grande maioria não tem ninguém na família que conheça a língua de sinais. Eles chegam na escola com uma necessidade muito grande e o ensino não está voltado para atender isso, e sim para uma realidade bem diferente. Por isso acabam tendo um rendimento inferior aos colegas, não avançam no aprendizado e se sentem desmotivados em estudar", afirma.
De acordo com a professora Ana Cláudia Ramos Cardoso, que trabalha há 15 anos com a educação de surdos, o aluno precisa estar incluído em um ambiente linguisticamente favorável. "A língua portuguesa escrita é a segunda língua para os surdos, assim como o inglês, o alemão para nós. Se a criança estiver em um ambiente onde todos usam a mesma língua, seja no pátio, na biblioteca, na sala de aula, o processo de aprendizagem se torna natural", afirma a educadora, que atua com turmas de educação infantil na escola.
Ana Cláudia explica ainda que a diferença entre os colégios bilíngues e as classes especiais é que essa última normalmente trata a surdez como uma deficiência, sem dar foco específico no aprendizado. "Surdo não é deficiente. Não pode ser tratado no discurso da educação especial. Muitas propostas de inclusão hoje acreditam que o aluno surdo deve ser matriculado em uma turma de ouvintes, com um intérprete, e que no contraturno deve ser feita uma atividade especializada de reforço, para complementar o aprendizado com a língua de sinais. Essa criança que estuda o dia inteiro vai brincar quando? Ela não precisa de estudo complementar, mas receber a educação na língua dela, que é a língua de sinais".
De acordo com a professora, esse reconhecimento de que Libras é uma língua oficial, assim como o português, foi o maior avanço da lei que completa dez anos. "É uma língua com estrutura gramatical própria, com todas as suas características morfológicas, e que permite ao surdo alcançar os mais altos graus do conhecimento, como ser médico, cientista, professor", afirma. Segundo ela, outro avanço é garantir a obrigatoriedade da disciplina de Libras em cursos para a formação de professores. "Claro que é preciso avançar muito mais. Um professor que tem 60 horas de aula de Libras na faculdade não se forma com o conhecimento suficiente para atender um aluno surdo", completa ao destacar que as escolas, na sua maioria, não estão preparadas para lidar com esses estudantes.
Favorável a inclusão dos surdos em escolas comuns, o Ministério da Educação (MEC) disse que trabalha para promover a capacitação dos profissionais da educação, com diversos programas de formação em Libras, a fim de garantir o ensino bilíngue no ensino regular. "Esse conjunto de ações resultou no crescimento do número de matrículas de estudantes público alvo da educação especial em classes comuns, que passou de 28%, em 2003, para 74%, em 2011", afirmou o MEC.
Alunos ouvintes aprendem Libras para incentivar a inclusão na Bahia
Os alunos surdos de Irará (BA) recebem um atendimento diferenciado na Escola Municipal São Judas Tadeu. Segundo a coordenadora-geral do colégio, Antônia de Lurdes Almeida, os surdos não se sentem excluídos dos demais porque todos aprendem a língua de sinais. "Os professores oferecem capacitação para os pais e para os alunos que queiram aprender a sinalizar e a procura tem sido muito grande", afirma. Segundo ela, é comum encontrar surdos se comunicando com os colegas ouvintes pelos corredores da escola.
No colégio baiano, os 12 alunos surdos divididos em diferentes turmas são acompanhados nas aulas por um intérprete e fazem atividades com especialistas em Libras. A escola conta com estudantes surdos desde 2005 e a coordenadora aponta que o desempenho vem melhorando ao longo dos anos. "Percebemos que hoje o aprendizado desses alunos está mais fácil, porque os professores estão mais preparados para ensinar com uma linguagem mais visual e os colegas também estão mais interessados em aprender com eles. Isso incentiva". Ela acredita que compartilhar o ensino de português e o de Libras com todos os alunos pode ser uma solução para evitar que os surdos sintam-se excluídos em uma escola regular.
Enquanto isso não vira realidade em todo o País, na escola bilíngue de Porto Alegre os alunos comemoravam nesta manhã o fato de aprenderem sem serem tratados como "deficientes". "Quando eu era bem pequeno, estudei em uma escola de ouvintes. Mas eles falavam demais e a professora dizia que tudo o que eu fazia estava errado. Minha mãe sempre era chamada na escola, até que ela resolveu procurar outro lugar para mim e encontrou o Salomão (a escola bilíngue). Eu adoro essa escola, aprendo o português, brinco, tenho aula de educação física, de artes. A professora sinaliza e tem até professora surda. Eu amo estar na escola", disse Luiz Gustavo, de apenas 11 anos. Emocionada, a professora sinalizou em agradecimento.

Fonte: TERRA

10 anos de LIBRAS - Entrevista com Ana Regina

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sexta-feira, Abril 27, 2012

A Língua Brasileira de Sinais não é mímica ou gesto, e sim, como o próprio nome diz, uma língua. A Lei nº 10.436 de 2002, reconhece a LIBRAS como língua oficial da comunidade de surdos. E hoje a lei completa dez anos. Para falar melhor sobre o assunto, nós convidamos Ana Regina que é Surda, doutora em Educação Inclusiva e presidente da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos. Jornal visual: De segunda a sexta, às 07h50 da manhã, na TV Brasil.



Aprovado! Dia Nacional da LIBRAS - Brasil

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sexta-feira, Abril 27, 2012


A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou nesta terça-feira (17), em caráter conclusivo, o Projeto de Lei 6428/09, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que institui o Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras), a ser celebrado anualmente no dia 24 de abril.

O relator, deputado Gabriel Guimarães (PT-MG) defendeu a constitucionalidade da proposta. Ele retirou, no entanto, o dispositivo do texto original que obrigava entidades públicas e privadas a promoverem, nessa data, eventos com a finalidade de valorizar a conquista da liberdade de expressão gesto-visual das pessoas surdas. "Isso violaria o princípio da separação dos poderes, que é uma cláusula pétrea", explicou o relator.

O projeto segue agora para o Senado, exceto se houver recurso para que seja votado pelo Plenário da Câmara.

Fonte:
Câmara dos Deputados

Quinta-feira

Respeito ao Profissional Intérprete de LIBRAS

Postado por Paulo Henrique Soares Na Quinta-feira, Abril 26, 2012

O motivo deste meu post, é para enfatizar a importância de seguirmos os valores que a Apilce Intérpretes Tradutores estabelece... gente, antes reclamávamos por que a tabela estava desatualizada, etc...

Gente.. existe uma tabela nova, bem estruturada, bem organizada, aprovada em assembléia geral da entidade, com valores condizentes com a situação a interpretar...

Então gente... contactem a Apilce... falem com os responsáveis, peçam as tabelas atuais... não podemos mais trabalhar por tão pouco... espalhem esta notícia... vamos nos valorizar... porque se continuarmos a trabalhar por valores irrizórios.. NUNCA seremos valorizados e sempre seremos vistos como "A PESSOA QUE SABE SINAIS"... "O ACOMPANHANTE DOS SURDOS", dentre outros predicativos... e nunca como TRADUTORES, INTERPRETES... enfim, nunca reconhecerão nossa profissão...

Sei que cada um tem seus motivos para aceitarem valores bem aquém do que precisaríamos receber... mas vejam bem... ao aceitar isso, nós estamos plantando uma semente e para sempre estaremos amarrados a estes valores...

Não queria tocar no assunto, mas o farei por que sei que se não o fizer, por ser também uma profissional Guia-Intérprete e Tradutora de Libras posso também ser prejudicada...

Desculpem o desabafo... mas o faço não por mim... não apenas por nós... mas principalmente por aqueles que virão... que se constituirão enquanto tradutores e intérpretes de Libras...

A semente está sendo plantada... da maneira como estamos conduzindo... o que colheremos...

Vamos conversando...



Por:

Diná Souza da Silva (facebook)

Curso EAD - "Literatura Surda"

Postado por Paulo Henrique Soares Na Quinta-feira, Abril 26, 2012

Através da literatura desperta-se o gosto pelo aprendizado através da imaginação do que se lê, possibilita-se acesso a diversidade de temas e desenvolve-se a habilidade na leitura. Não é diferente na Língua de Sinais, a literatura é essencial, descobrimos formas, jeitos e passamos a analisar as pessoas na sua identidade, descobrimos pessoas "encantadas " há muito tempo e nos fazemos amigos dela, conversamos com elas e descobrimos outros jeitos de valorizar a vida.

Venha conhecer mais da LITERATURA SURDA:
  

Curso 100% a distância , realizado pela plataforma moodle.

Apenas 50 vagas

Valor: Taxa única de 50 reais
Duração: 3 meses
Carga Horária: 80 horas
Certificado é de curso Livre e será assinado por pessoa física.
Pré-inscrição: delmir1000@yahoo.com.br
(Após o número de vagas, será encaminha por e-mail a conta bancária
para realização do depósito)

Conteúdo programático:


1)Apresentação do professor-tutor e dos discentes


 

Domingo

Princesa Espanhola apoia Educação Bilíngue

Postado por Paulo Henrique Soares Na Domingo, Março 18, 2012


La Princesa Letizia signando en LSE
A Princesa Letizia sinaliza em LSE (Língua de Sinais Espanhola)

A princesa das Astúrias tem encorajado hoje para promover a "educação bilíngüe, fala e sinal", de modo que as crianças surdas superar a "entorno limitado", e ela usou a linguagem de sinais para agradecer por seus esforços em tudo que ajudam a melhorar a qualidade de vida dos deficientes auditivos (digo, de passagem, surdos).
Vídeo da Princesa Letizia teve sucesso ao sinalizar em Língua de Sinais Espanhola (LSE), após seu discurso na cerimônia de entrega do Prêmio Fundação CNSE 2011: "Para todas as pessoas que trabalham diariamente para melhorar a qualidade de vida surdos, obrigado "



Fonte:  Aprende Lengua de Signos

Sábado

Grandes Nomes Grandes Contribuições #03

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sábado, Março 17, 2012

Entrevista com Karin Strobel
IDENTIFICAÇÃO:
Nome: KARIN STROBEL
Cidade: FLORIANÓPOLIS
Estado: SC   País: BRASIL
Formação:
 PEDAGOGA e DOUTORA EM EDUCAÇÃO
Profissão: PROFESSORA (3 disciplinas)
E TUTORA DE LETRAS/LIBRAS – UFSC
Locais de Trabalho: UFSC
Locais de Estudo: UFSC
Contatos: kstrobel@uol.com.br

Karin Strobel, em Jurerê – Florianópolis / SC (2006)


ENTREVISTA:

1) Você nasceu surda? Conte um pouco como foi sua infância, adolescência e juventude?

Eu nasci em Curitiba, a adorada terra do pinhão, uma cidade conhecida por sua limpeza e de suas soluções urbanas inovadoras assim como o sistema de ônibus modernos de onde tenho orgulho de ter sido gerada e atualmente moro em outra cidade que conquistou profundamente o meu coração… Fiquei uma autêntica ‘manézinha da ilha’ com saias coloridas e sandálias baixas, a Florianópolis com suas lindas praias e famosa ponte!
Nasci ouvinte e com quatro dias de vida em hospital eu tive um resfriado muito forte e o médico me deu remédio, o antibiótico – excessivamente forte para um recém-nascido – que em conseqüência disto enfraqueceu os meus nervos auditivos e fiquei surda profunda.
Tive uma infância feliz com família muito unida, mas também confusa. Porque muitas vezes fui incompreendida pela sociedade, quando adolescente tive aquela fase chamada de ‘crise de identidade’, tratava-se de anos e anos de disputa pelo espaço social em ambientes cheios de estereótipos negativos sobre a cultura surda.
Isto fazia e ainda faz parte de um processo mais extenso dos diferentes ‘olhares’ das representações sociais ouvintes que consideravam os sujeitos surdos como seres ‘deficientes’ e incapazes.
O mais importante para mim foi o amor da minha mãe, que me apoiou e motivou em todos os momentos na construção de minha identidade surda e de me tornar uma vencedora na vida.
A construção de minha identidade surda foi possível a partir de quando a família aceitou a minha surdez na fase de adolescência, e isto me fez conhecer a mim mesma com profundidade, afastando meus medos e acreditar no meu potencial de praticar os maiores desafios na vida cotidiana.
Em uma sociedade que quando se valoriza demais a audição e a fala, automaticamente estamos sendo preconceituosos contra os que não ouvem e não falam.
Cito uma situação que aconteceu comigo, há muitos anos atrás eu queria muito fazer especialização na área de educação dos surdos, a equipe da escola inicialmente disseram que eu não daria conta e aconselharam eu tentar outra profissão, mas felizmente o próprio diretor da instituição me incentivou dizendo para eu tentar, não desistir e lutar pelo o que queria. Graças a estes tipos de sujeitos que acreditam em nós os surdos, hoje sou pedagoga e doutora em educação.
Por isto, uso minhas próprias experiências da infância não somente como aluna surda, sim como ‘ser surda’ para lutar pelo povo surdo o direito de nos escolhermos a língua e de construção de identidades sem a imposição ‘normalizadora’ da sociedade que impõe aos sujeitos surdos que sejamos ‘normais’, isto é, que falemos e ouçamos para que sejamos aceitos na vida social.
Mas hoje noto que a sociedade brasileira já esta percebendo das existências de pequenos grupos culturais, tais como os povos indígenas, os povos negros, os povos surdos, os homossexuais e outros, e assim começando a compreender e respeitar as culturas diferentes, grupos com suas culturas não como inferiores e sim em nível de igualdade, mas que ao mesmo tempo são diferentes. Isto acontece porque as comunidades surdas, dentre as outras, lutam pelos seus direitos como cidadão de serem considerados como sujeitos ‘diferentes’ e não como ‘deficientes’, de reconhecimento do potencial de cada sujeito surdo, estabelecendo relações sociais justas e igualitárias!
O que guardo de bom da infância foi ter aprendido a ter perseverança diante de todas as dificuldades e a superação das limitações impostas pela sociedade que me consideravam um ‘deficiente’.
Hoje me considero uma adulta guerreira da vida com um corpo surdo mais forte com uma ancoragem positiva de identidade surda e hoje luto por reconhecimento e aceitação da cultura surda!


Karin Strobel, aos 7 anos de idade

2) Você estudou em qual(ais) escola(s)? E Como se deu sua formação em nível superior?

Na maior parte de minha infância estudei em uma escola para surdos de Curitiba onde usavam metodologia oralista, que foi implantada recentemente na época, horas e horas de treinamento com as aparelhagens e fones diante de espelhos para imitar as articulações dos lábios.
Conseqüentemente, aprendi a falar, mas não sabia me comunicar adequadamente, só ficava repetindo as palavras, igual a um papagaio sem entender seus significados, tudo muito mecânico e sem emoções, somente depois de aprendizagem de libras durante a adolescência é que me libertei desse mundo de clonagem dos ouvintes e me expressei autentica ‘eu’ que estava adormecido no interior!
Paralelamente com a escola para surdos, estudei em outro período do dia em muitas escolas inclusivas e reprovei várias vezes – não por preguiça e sim por dificuldades de adaptação á cultura ouvinte, por exemplo: na minha fase de alfabetização em escola de ouvintes, a professora em sala de aula mostrava figuras de alface, avião e abacaxi e comparava-as com letra ‘a’, eu não entendia o porquê dessas comparações, pois não encontrava a letra ‘a’ nas figuras. Olhava, olhava e ficava confusa, isto porque na cultura ouvinte, nestas escolas, os professores ensinavam a língua portuguesa em associação aos sons, outra situação parecida é, dentro de textos a gente tem de perceber quais as palavras são oxítonas, paroxítonas, etc. Eu, surda, como vou perceber qual sílaba é mais forte se não escuto? E pior ainda, ter que separar as palavras em silabas? Será que separar palavras de duas-letras e duas-letras esta correta? Isto fazia a minha cabeça ficar confusa, porque nestas escolas não ensinavam a língua portuguesa na cultura surda, isto é, o português visual. Também faziam brincadeirinhas do tipo ‘telefone-sem-fio’ e isto me fazia sentir um ‘peixe fora de água’!
Durante toda a minha vida escolar com exceção de mestrado e doutorado eu não tive intérprete em sala de aula e na universidade, ao cursar o curso de pedagogia, também enfrentei dificuldades; os professores não tinham conhecimentos de como lidar com uma pessoa surda e também não tinha intérprete disponível. Na maioria parte baseei mais nas leituras dos livros para manter-me atualizada.
Ao ingressar em UFSC durante o mestrado e com upgrade para doutorado, tive oportunidade de encontrar colegas e professores usuários de língua de sinais, de assistir aulas com intérprete de língua de sinais/português e participar juntamente no grupo GES – Grupo Estudos Surdos, onde se desenvolvem pesquisas na área dos Estudos Surdos.
Conclui o meu doutorado este ano com a tese que aborda algumas reflexões sobre analogia de poderes em relação ao corpo surdo e modos possíveis de abordar em sua subjetividade daqueles que considero ‘personagens’ de minha pesquisa: o ser surdo! Nela há narrativas produzidas pelos sujeitos surdos que foram entrevistados durante a pesquisa no sentido de identificar as descrições sobre visões históricas diferenciadas que permita construir a historia de surdos no espaço colonial ou como sujeitos surdos na diferença lingüística cultural.


Karin Strobel, na formatura do Curso de Pedagogia (2000)

3) Desde quando fala com língua brasileira de sinais (Libras)?

O meu primeiro contato com a língua de sinais aconteceu na adolescência, com quinze anos, na época em que estava revoltada e triste sem saber qual era o meu espaço no mundo, porque a escola para surdos proibia o uso de língua de sinais e nas escolas regulares eu conversava igual como papagaio e os colegas ouvintes me achavam chata e me deixavam isolada. Então a minha mãe ficou preocupada com a minha revolta e tristeza e após investigar das existências das comunidades surdas ela me levou à associação dos surdos de Curitiba onde tive o primeiro contato com a língua de sinais e isto me fez abrir as muitas portas para o mundo e permitiu eu construir a minha identidade, não só como surda e sim como a ‘Karin’!


Karin Strobel, menina sentada, com calça vermelha, em escola de surdos (1968)

4) Você tem filho(s)? Surdo(s) ou ouvinte(s)? Como você se comunica com ele(s)? E com seus familiares, amigos e público em geral?

Sou mãe de um pequeno surdo de 3 anos, o Richard é lindo e meigo. Eu e ele comunicamos através de nossa prioritária língua: Libras.
Com minha família e públicos em geral, sou bilíngüe, uso libras e oralização e ou escrita… e se as pessoas tiver dificuldade de me entender, eu escrevo para me comunicar, assim como a maioria dos sujeitos surdos.


Karin Strobel, com seu filho Richard aos 3 anos (2008)

5) O que a Libras significa para você?
Libras, Língua Brasileira de Sinais… É uma benção de Deus em existir uma língua visual, com expressão corporal, esta língua me abriu as portas para o mundo surdo e também de ouvintes, pois com a iniciação do uso dessa língua me fez viver uma vida sadia e feliz.
Dou opinião semelhante de uma surda de Pernambuco, a Lindilene, que mandou um e-mail ao grupo de surdos, recentemente explicando sobre a Libras: “essa língua existe, e agora que existe podemos lutar por ela querendo entrar na cultura dos surdos… nós o povo surdo não sabemos de onde foi feita a língua portuguesa, a língua espanhola, a língua americana e outras… mas nós surdos sabemos de onde foi feita a nossa língua de sinais, e que por ela nós surdos sofremos muito para conseguir essa língua reconhecida. Esta é uma historia de muitas lutas do povo surdo e mesmo assim nos surdos damos os poderes da nossa língua aos ouvintes para serem interpretes de libras!”
Acredito que a Libras também é uma porta para a interculturalidade entre os surdos e os ouvintes, pois os sujeitos surdos necessitam de intérpretes, família, amigos e professores que os entendam.
A formação de professores de Libras ficou mais valorizada no Brasil, principalmente graças à metodologia transmitida pela FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos, em parceria com MEC: o “Libras em Contexto”, que aboliu a metodologia tradicional do ensino de língua de sinais e hoje estamos expandindo com o curso de LETRAS/LIBRAS em muitas universidades brasileiras.
Com a abertura de curso de Letras/Libras em UFSC foi uma grande vitória para as comunidades surdas. A nossa expectativa de uma educação melhor para os surdos, atualmente na tenra infância, aumenta diante de tal resultado. Constatar o interesse de sujeitos surdos e de sujeitos ouvintes neste caminho renova nossa esperança em uma sociedade mais justa e igualitária, onde os sujeitos surdos terão a oportunidade de aprenderem e ensinarem em sua própria língua e os sujeitos ouvintes de interpretarem com a qualidade ótima a língua de sinais.


Karin Strobel, pesquisando história de surdos no INES – RJ (2008)

6) Conte um pouco sobre o trabalho que você vem desenvolvendo na Feneis – Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos. Quais são seus projetos à frente desta Federação?


Sempre trabalhei como voluntária ao lado de associações de surdos, como secretária, conselheiro, diretora social e enfim, também fui presidente. Participei de diversos movimentos em prol da pessoa surda e conheci bem a realidade dos surdos através da minha experiência como membro das comunidades surdas e como professora de ensino ao surdo nas escolas.
Contato com a Feneis se iniciou em 1994, quando o ex-presidente Antonio Campos me convidou para fazer parte da chapa dele como diretora vice-presidente dos Profissionais da Área e depois como fundadora e diretora regional do escritório Feneis-PR.
Com isso, fui percebendo a dificuldade de comunicação e a questão social do surdo em diversas esferas da sociedade e, cada vez mais, me envolvendo com a luta dos surdos. Como profissional tive um olhar diferenciado a respeito de algumas questões relacionadas às necessidades dos surdos.
Uma delas é na área de formação. É necessário mais cursos e treinamentos para instrutores surdos, intérpretes e professores.
Precisamos crescer na questão da especialização de diversas áreas no mercado de trabalho, fazendo com que os sujeitos surdos façam diversos cursos de aperfeiçoamento.
Pelo que tenho observado até agora pelas políticas publicas brasileira na área da educação dos surdos,percebo que os caminhos nesta área está bem encaminhada. Tenho mais preocupações com o que envolve outras áreas como a surdocegueira por exemplo. Gostaria de incentivar mais este segmento, fazendo com que sua luta seja menos isolada. Da mesma forma que fizemos com a Libras, proponho também um curso de instrutores multiplicadores para guias-instrutores e intérpretes envolvidos com a comunidade surdo-cega. Também quero dar uma atenção às questões que envolvem saúde. Defendemos a Língua de Sinais, mas precisamos respeitar também os que fazem a opção pelo oralismo e pelos implantes. Precisamos de propostas em todas as áreas.
Na verdade, queremos criar várias coordenadorias compostas de coordenadores de cada área, voluntários para trabalhos com as comunidades surdas. A Diretoria atual da Feneis é composta por apenas seis pessoas, ficando difícil dividir o trabalho porque o Brasil é muito grande. A idéia é que consideremos também outras áreas como, por exemplo, a de família, dos Surdocegos, das artes, dos índios surdos, saúde e outros etc.
Percebo que as pessoas estão com expectativas de que a nova diretoria possa ajudá-las. Vejo que é muita responsabilidade. A minha vida, antes privada, agora mais do que nunca é pública. Preciso pensar nos surdos em primeiro lugar. Fico muito emocionada quando penso nesta confiança depositada na minha presidência


Karin Strobel com Paulo André de Bulhões, Shirley Vilhalva e Paulo Vieira, em abril/ 2008, durante solenidade de posse como diretoria da Feneis para período de 2008 a 2012


Karin Strobel, eleita Presidente da Feneis,
com demais membros da diretoria
(1º Vice-diretor – Paulo Bulhões / 2º Vice-diretor – José Arnor /
Diretor de Políticas Educacionais – Paulo Vieira /
Diretora Administrativa – Shirley Vilhalva /
Diretor de Finanças e Planejamento – Josélio Coelho)

7) O que você faz para se divertir ou se distrair?

Gosto de passear em shopping Beira-Mar (de Florianópolis) com meu filho Richard e também brincar e caminhar na natureza. Adoro deitar na rede e ler um bom livro, ou assistir um bom filme em DVD para relaxar. São estes momentos que não abro a mão para não ficar estressada com o dia-o-dia corrido e procuro fazer isto todos os dias!


Karin Strobel, lendo na rede,
nos momentos em que gosta de relaxar (2007)


8) Quais são seus planos para o futuro?

Fazer mais elaborações dos projetos com a participação direta dos sujeitos surdos na área de educação, cultural, mercado de trabalho, saúde e outros.
Por exemplo, com a extensão do curso Letras-Libras abrangemos a necessidade da criação do curso de ‘Pedagogia Surda’, que é diferente de curso de pedagogia existente atualmente nas universidades, pois envolve o jeito do surdo ensinar.
Acreditamos que a criança surda aprende melhor com o professor surdo, aproveitando que no momento vemos que a política da transformação abre os espaços dentro da pedagogia cultural e vamos lutar por isso.
Pedagogia surda seria por exemplo: o professor entra em sala de aula e tenta aplicar o conteúdo proposto, mas ele se depara com as diferenças de identidades culturais de cada aluno e então para colocar em prática o seu ensino, o professor passa por um processo de transformação, elaborando estratégias e respeitando os vários artefatos culturais dos próprios alunos.
Os povos surdos através dos movimentos sociais vêm contribuindo para que haja um novo olhar no processo histórico, com conquistas como a inserção do currículo surdo, a valorização da Língua de Sinais e pedagogia surda nos espaços educacionais!
Também pretendo continuar escrevendo outros livros, a idéia de escrever o ultimo livro: “As imagens do outro sobre a cultura surda” se iniciou pelo fato de eu trabalhar por 20 anos como professora de surdos, sendo militante das comunidades surdas, palestrando em muitos lugares e dando aulas em pós-graduação em muitas faculdades, eu percebi que muitas vezes os professores das escolas inclusivas, os professores ouvintes bilíngües (Português/Libras), os intérpretes de língua de sinais, as famílias ouvintes e os amigos ouvintes não compreendiam muito bem o que é cultura surda, então aproveitei das minhas experiências com as vivencias nas comunidades surdas e de como ‘ser surda’ juntando vários depoimentos de muitos sujeitos surdos e escrevi sobre a cultura surda.
A cultura surda vem sendo um enigma para os sujeitos ouvintes da sociedade. É uma preocupação em que muitos sujeitos ouvintes tentam entender os muitos caminhos que conduziram os povos surdos às suas relações culturais presentes, marcados por diferentes ‘olhares’ das organizações de suas comunidades surdas.
A cultura surda se refere a comportamentos, valores, regras e crenças, que permeiam e “preenchem” nas comunidades surdas. Dentre os artefatos principais da cultura surda estão as experiências visuais e as lingüísticas que são essenciais para o povo surdo. A cultura surda também pode incluir a historia dos surdos, as piadas em língua de sinais e expressões faciais/corporais, a literatura surda, a arte surda, a pedagogia surda e outros
Vou citar alguns exemplos das situações dos sujeitos surdos que diferencia a dos sujeitos ouvintes: como chamar a atenção de um sujeito surdo? Em vez de gritar chamando pelo nome do sujeito, usamos um leve toque no braço ou no ombro dele ou acenar com as mãos se sujeito surdo estiver um pouco distante, ou pedir para o outro sujeito chamar a atenção dele.
Espero que com a leitura desse livro, os sujeitos ouvintes reconheçam a diferença cultural do povo surdo, e, além disso, de perceberem a cultura surda através do reconhecimento de suas diferentes identidades, suas histórias, suas subjetividades, suas línguas, valorização de suas formas de viver e de se relacionar.
E os meus planos para futuro é escrever mais livros, livros para auxiliar as comunidades ouvintes a entenderem o povo surdo e também incentivar aos outros sujeitos surdos a deixarem registros as suas experiências na forma escrita ou narradas em libras pelos dvds!


Karin Strobel, com Ronice Quadros, no dia do lançamento de seu livro
“As imagens do outro sobre a cultura surda” (julho de 2008)

9) Você é uma pessoa feliz? Por quê?

O que é felicidade na realidade? Se for estar bem consigo mesma e em paz, então posso dizer que sou feliz! Tenho meus altos e baixos igual como todas as pessoas, mas enfrento numa boa porque acredito em mim!
Então posso dizer que sou uma pessoa realizada e feliz.


Karin Strobel, com a família reunida porém, nesta época,
seu filho Richard ainda não estava com ela (Natal de 2005)



10) Mais alguma coisa que você gostaria de dizer?

Todos nós, o povo surdo brasileiro, queremos as mesmas coisas: as políticas públicas para a educação de surdos voltadas para a garantia de acesso do aluno surdo dentro das escolas que faça com que eles ‘aprendam’ de verdade e não sendo ‘robôs’, as lutas pelas escolas de surdos, também pela boa formação dos professores surdos, dos intérpretes e dos professores ouvintes bilíngües, pelas acessibilidades na sociedade, respeito e valorização pela cultura surda e de suas diferentes identidades.
Deixo mensagem ao povo surdo:
Surdos, sejam persistentes e nunca desistam dos seus sonhos, arregacem as mangas e vão à luta com toda a coragem… Não deixem as pessoas dizerem a vocês: “vai ser difícil vocês conseguirem” ou “vocês não podem fazer…”, se é algo que vocês querem, acreditem em si mesmos e vão à frente! Lembrem-se: “Não há vitória sem luta e não há luta sem coragem”


Karin Strobel ministrando aula da disciplina História, através de video-conferência, no Curso de Graduação em Letras/Libras da UFSC (setembro de 2008)

Fonte: ARARA AZUL

Surdos e a redação - Correção especial

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sábado, Março 17, 2012

 Surdos reclamam correção especial para redação no vestibular


Pelo menos 22 alunos com deficiência auditiva que vão disputar o vestibular este ano estão preocupados com a correção da prova de redação durante o processo seletivo.

Os candidatos se sentem prejudicados nesta modalidade da prova, pois a escrita dos surdos é diferente dos demais candidatos que não possuem deficência auditiva.

Para alguns surdos, o ideal seria que, ao invés da redação escrita, as Instituições de ensino superior aplicassem uma prova oral, mas dentro da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Outros candidatos sugerem que a redação seja corrigida por um profissional que tenha formação na Língua de Sinais, para compreender a escrita dos surdos. Na redação, os surdos não usam conectivos e os verbos sempre são escritos no infinitivo. Nem sempre fica definida na escrita a distinção por gênero.

Sobre a estrutura da Libras, a pedagoga Rejane Lima ressalta que não pode ter como base a Língua Portuguesa, uma vez que a gramática é diferenciada e independente da língua oral. "A ordem dos sinais na construção de um enunciado obedece regras próprias que refletem a forma do surdo processar suas ideias, com base em sua percepção visual-espacial da realidade", diz.

Nas escolas

Para a professora Sônia Teixeira, esta preocupação dos candidatos com deficiência reflete um problema que não se restringe à época do vestibular, e sim em como as escolas regulares estão tratando os alunos com necessidades especiais. "A escola regular não consegue dar conta da inclusão destes alunos. Há poucos profissionais com formação para os surdos, por exemplo", aponta a professora.

O candidato Rodrigo Duarte de Queiroz, 29 anos, é um dos surdos preocupados com a redação. Ele vai disputar uma vaga para o curso de Licenciatura em Letras - Libras, oferecido pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), mas vê dificuldades nesta modalidade que podem prejudicar qualquer candidato com deficiência auditiva, uma vez que a escrita de quem não consegue ouvir é diferente.

"A prova de múltipla escolha a gente entende, mas ao invés de termos de escrever a redação deveria ter um intérprete para traduzir (uma espécie de redação oral)", disse Rodrigo, que, depois de formado, pretende fazer concurso público.

Somente na Uepa, 103 candidatos com algum tipo de necessidade especial se inscreveram para os processos seletivos deste ano, sendo que 88 farão as provas em Belém.

Sobre a preocupação dos vestibulandos com deficência física, a Uepa informou que 63 técnicos especializados, lotados na própria instituição, irão acompanhar os candidatos durante a realização da prova.

Em relação aos candidatos surdos ou de baixa audição, a Uepa esclareceu que eles serão acompanhados por intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras) ou por ledores que poderão elucidar o conteúdo das provas, em caso de dúvidas. Sobre a correção da prova, a Uepa não comunicou se haverá algum tratamento diferenciado para os alunos com necessidade especial.

Em resposta a inquietação destes vestibulandos, o Centro de Processos Seletivos (Ceps) da Universidade Federal do Pará (UFPA) explicou que no processo de correção das provas do vestibular neste ano não há tratamento diferenciado aos portadores de necessidades especiais, uma vez que apenas a segunda fase é elaborada pela insituição e nela não há prova de redação, nem questões subjetivas - a redação aplicada na 1ª Fase que é a do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Fonte: ONDA JOVEM

Surdo recusa salário menor e conquista posição

Postado por Paulo Henrique Soares Na Sábado, Março 17, 2012

Apesar de entender que o preconceito com pessoas com deficiência tem diminuído o deficiente auditivo Laerte Tavares de Souza diz que as vagas oferecidas a esse público ainda têm, muitas vezes, salário inferior ao de ouvintes. "As pessoas acham que, por conta da deficiência, não temos capacidade de trabalhar, aprender ou entender. Já fui chamado para várias entrevistas, mas com o salário menor do que dos ouvintes, com o mesmo cargo", afirma. Souza, no entanto, não aceitou as condições propostas: "estava dentro da Lei de Cotas e não concordo isso".

Nem por se negar a aceitar remuneração inferior a de ouvintes que Souza ficou desempregado. Depois de passar por empresas como Baxter Hospitalar, Sul America Nacional Seguros e Hipercard Cartões foi contratado pela Deloitte, onde é assistente na área de gestão de riscos empresariais. "Esforço-me no trabalho para mostrar minhas competências, me relaciono bem com os colegas de trabalho e quando não nos entendemos, utilizamos a escrita usando papel, bloco de notas, celular e etc, o que facilita a comunicação", explica.

Para ele, não há impedimento a suas funções. Aos 28 anos, Souza acredita que chegou até este ponto em sua carreira por mérito próprio, com muito esforço, apresentando idéias para melhorar o seu desempenho e a comunicação com os clientes. Atualmente, ele analisa as informações dos clientes para descobrir se há fraudes ou indícios da mesma por meio de indicadores de fraudes pelo padrão de auditoria internacional.

Os projetos são executados com a utilização de ferramentas de Audit Command Language (ACL), Access e Business Intelligence (BI). "Para me comunicar com os clientes internos e externos utilizo e-mail, torpedos e communicator da empresa". 

Fonte: DEFICIENTE ONLINE