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Conheça a SIGNWRITING.

Compartilhe essa notícia! | Data : segunda-feira, abril 18, 2011 | Series :
O SIGNWRITING  

A importância do Signwriting deve-se a sua utilização para codificar os sinais da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), utilizadas pelos sujeitos com surdez. Stumpf (2002) exemplifica com o caso de Valerie Sutton, coreógrafa americana que em 1974 criou um sistema para escrever os movimentos das danças:
 
Sutton começa a trabalhar com os surdos, e suas notações gráficas evoluem para um sistema, o Signwriting, que pode registrar qualquer Língua de Sinais sem passar pela tradução da língua falada. O fato do sistema representar unidades gestuais faz com que ele possa ser aplicado a qualquer Língua de Sinais. Cada Língua de Sinais vai adaptá-lo à sua própria ortografia (p. 62).
Esta importância é reproduzida na afirmação da autora quando expõe claramente que “nós, surdos, precisamos de uma escrita que represente os sinais visuais-espaciais com os quais nos comunicamos, não podemos aprender bem uma escrita que reproduz os sons que não conseguimos ouvir” (ibidem, p. 63). Esta afirmação decorre da necessidade de significado às palavras e às ações segundo a ótica do próprio aprendiz com surdez e sua maneira de “ver” o mundo, de modo a tornar a aprendizagem significativa.
Assim, o Signwriting não se desvincula da LIBRAS, já que “a maioria dos alunos que sabem bastante Língua de Sinais brasileira tem muita facilidade para escrever em Signwriting” (STUMPF, 2002, p.65), mas oferece uma oportunidade de um “novo patamar para esta língua que se torna evidente nas trocas entre professores e alunos” (ibidem, p. 69).
De acordo com Giraffa, Santarosa e Campos (2000), o sistema Signwriting é definido por três estruturas básicas: a posição de mão, através dos movimentos e pelo contato. As posições básicas das mãos são: fechada, circular e aberta, conforme a figura 1. A mão pode estar paralela ou perpendicular ao chão.
 
                 
Figura 1: A posição das mãos: configurações básicas de mão no sistema Signwriting.
 
Os movimentos podem ser classificados em duas categorias: movimento de dedos e de mãos, conforme a Figura 2.
 
                
 
 Figura 2: Movimentos: exemplos de símbolos para movimento
 
Existem seis formas de representar o contato dos elementos que compõe o sinal, seja mão com mão, mão com corpo, mão com cabeça (Figura 3).
 
 
     Tocar em outra parte do corpo.
      Pegar em alguma parte do corpo ou roupa.
      Tocar entre duas partes do corpo, geralmente entre dois dedos.
      Bater em alguma parte do corpo.
      Raspar em alguma parte do corpo saindo da superfície.
                Esfregar em alguma parte do corpo (tocar e mover sem sair da superfície)
 
              Figura 3: Contato: símbolos para contato.
 
Neste sistema, existem dez grupos de símbolos para as mãos. As mãos são agrupadas de acordo com quais dedos são usados, sendo que esses dez grupos são o começo da “Seqüência de Símbolos Signwriting” que é a ordem dos símbolos usada para procurar sinais em dicionários escritos neste sistema. As configurações de mão de todas as línguas de sinais estão incluídas:
 
 
Figura 4: Os dez grupos de símbolos utilizados para as mãos.
 
A partir dos delineamentos básicos do Signwriting é possível discutir seus contextos e aspectos de utilização social.
 
A APLICABILIDADE DO SIGNWRITING E SEUS CONTEXTOS 
Para realizar esta investigação, foram entrevistados cinco educadores e três estudantes ambos pessoas com surdez, além do relato de uma educadora da escola e uma mãe de aluno, ambas pessoas ouvintes. As perguntas foram as seguintes:
 
1. Como e com quem você aprendeu Signwriting (SW)?
2. Atualmente, o Signwriting é utilizado de que maneira?
3. O Signwriting é utilizado fora da escola?
4. Em sua opinião, o Signwriting é importante para a aprendizagem? Por quê?
5. Em sua opinião, quais as contribuições do Signwriting para o ensino da LP?
                 
Como forma de estruturar esta investigação, cada uma das referidas perguntas serão discutidas na ordem como se apresentam acima. De modo geral, dos oito sujeitos com surdez responderam a primeira pergunta realizada “Como e com quem você aprendeu Signwriting (SW)?”, sendo que todos os entrevistados explicaram que, por interesse pessoal e profissional, decidiram aprender o Signwriting.
Dois sujeitos se reuniram para realizar um curso básico para aprender Signwriting. Neste curso, realizado em novembro de 2001 e promovido pela FAT (Fundo de Amparo aos Trabalhadores) e organizado por uma associação na cidade (Educador Bn. e L.) estes aprenderam a escrita de sinais. Outro sujeito participou de um seminário em Caxias do Sul (RS), no ano de 2001, de uma oficina ministrada pela Marianne Rossi Stumpf, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS-RS). Outros três sujeitos com surdez aprenderam através de um curso ministrado por Fabiano Souto Rosa, da Universidade Luterana do Brasil, ULBRA (RS).
Sob este ponto de vista, é necessário enfatizar que ambos os cursos freqüentados por estes educadores buscaram esclarecer conceitos básicos sobre o Signwriting, sobre o sistema de transcrição de línguas de sinais, parâmetros básicos do sistema Signwriting, leitura, escrita e transcrição em Signwriting e, também, que esta não se caracteriza por “desenhos”, mas por símbolos representativos da LIBRAS. A problematização deste sistema também foi importante, pois de um sistema visual espacial passou-se para um sistema escrito, no qual se deve considerar a evolução desta língua e as discussões em torno deste tema.
Quando se questionou os sujeitos da escola sobre a utilização do Signwriting no interior da comunidade, estes responderam prontamente que a utilizam em diversos espaços sociais, como a escola e uma associação na cidade; porém, ainda não começaram a utilizá-lo em outros ambientes. Isto pode ser verificado através das falas dos sujeitos entrevistados devido, entre outros motivos, a falta de conhecimento sobre o Signwriting por parte dos demais sujeitos, indicando haver dificuldades de inserção deste aprendizado no cotidiano, como aponta uma mãe de aluno:
 
Eu nunca aprendi, eu faço curso apenas de LS. Mas acho que a LP é mais importante do que o Signwriting, pois fora da escola o que usam é a LP, querendo ou não é a língua majoritária do nosso país. E o Signwriting eles usaram somente dentro de um universo, só dentro da escola. Temos que pensar sempre na realidade, pois quando os surdos saírem da escola estarão em contato direto com outras pessoas, de outros contextos. Não podemos pensar neles em apenas um universo (MÃE DE ALUNO A).
 
Sobre a utilização do Signwriting, um estudante com surdez do magistério (Estudante Di.) da escola relatou que eles começaram a utilizá-lo em cartas e que estão começando a utilizá-los também nos e-mails, ou seja, nas mensagens e correspondências enviadamente eletronicamente. A tendência, neste sentido, segundo Quadros (2004) é que:
 
[...] Muitas pessoas estão usando Signwriting nos EUA e a tendência natural é de haver uma padronização. Algumas pessoas começaram a trocar arquivos em Signwriting e num futuro próximo teremos uma sala de discussão na Internet disponível para conversarmos usando o Signwriting. Claro que cada Língua de Sinais vai naturalmente desenvolver uma forma comum de escrever os sinais. Nesta sala, vamos ter a oportunidade de ler LIBRAS, bem como outras línguas de sinais. Obviamente, as pessoas precisam saber pelo menos uma Língua de Sinais e saber escrever tal língua usando o Signwriting. Na verdade, é o que acontece nas salas que existem agora, se eu sei escrever italiano eu entro numa sala e converso com pessoas que sabem italiano, mesmo estando no Brasil (p. 1).
 
Assim, como possibilidade, há a expectativa de que, conforme aumente o número de sujeitos usuários do sistema Signwriting, haverá mais um recurso para contribuir para o aprendizado do português (Educador Bn.).
Outro fator apontado que corrobora para a importância do aprendizado da Língua Portuguesa (LP) é, segundo um relato, devido ao processo seletivo de admissão em Instituições de Ensino Superior (IES) da cidade e da Região: “claro que o Signwriting é mais fácil, mas o português no momento é o mais importante, pois ainda não existem provas de vestibular em Signwriting [...]” (Educadora L., estudante de uma Faculdade local). O aprendizado das duas línguas deve e precisa representar, então, “uma troca”, no sentido de “complementação” da importância das línguas atualmente (Educador Y.).
Um dos entrevistados relatou que o ensino da Língua Portuguesa dificulta o aprendizado do Signwriting, “porque o ouvinte para aprender a LP usa a memória auditiva e para o surdo tudo é o visual e fica difícil para nós associarmos a escrita portuguesa sem termos a pronúncia, a audição” (Educador Po.).
Isto ocorre porque o sujeito com surdez, que se expressa em Língua de Sinais, e que não em algumas ocasiões não conhece fluentemente a língua portuguesa, pensa em Língua de Sinais. Quando faz a tradução para a língua portuguesa escrita converte, freqüentemente, os sinais isoladamente em palavras similares em significado, encontradas na Língua Portuguesa. Sob este ponto de vista, as duas línguas têm um sistema gramatical incompatível em termos de tradução literal. O resultado é que a coerência e coesão textual de um texto produzido por um sujeito com surdez que não conhece a gramática das duas línguas ficam prejudicadas. Dessa forma, se apropriar das possibilidades de uso da LIBRAS faz com que seja necessário o aprofundamento gramatical da conversão possível desta língua em língua portuguesa, a fim de que haja um diálogo compreensível.
Num diálogo entre LIBRAS, Signwriting e a língua portuguesa, na perspectiva dos entrevistados, uma professora da escola esclarece que
 
Os alunos aprendem mais rápido Signwriting porque é algo do interior deles, pois o Signwriting nada mais é que as próprias mãos desenhadas, enquanto que o português é algo que vem de fora. Essa pesquisa [dissertada neste Artigo] é importante para os próprios educadores surdos, já que são eles que aprenderam e ensinam Signwriting (EDUCADORA D).
 
Esta opinião reflete sobre o cotidiano dos alunos com surdez com conhecimentos em Signwriting, no qual se percebe que a questão da aplicabilidade do Signwriting está começando a ser discutida nesta escola, mas é reconhecido que seu uso ainda não se propagou fora do contexto institucional. Os alunos com surdez compreendem que com o auxílio do Signwriting é possível compreender melhor os conteúdos curriculares, no entanto, não encontram fora da instituição receptores aptos para se comunicar. Esta questão só poderá ser debatida, refletida e solucionada quando mais pessoas se interessarem pela temática, pesquisando-a e se tornarem potencialmente “conversadores”.

Veja um texto em SW:
Faça download da apostila para você: APOSTILA por Marianne Rossi Stumpf

 

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